1 ° Momento - O que foi

 

Neste show, Thiago Righi revisita o repertório de seus primeiros trabalhos, lançados entre 2004 e 2011: os álbuns Amanajé (2004) e Aprendendo a ser só (2008), e o EP Righi & Pontet (2011). Os dois primeiros são trabalhos fortemente influenciados pela música instrumental brasileira (principalmente nas vertentes desenvolvidas por Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti). Ambos apresentam um repertório autoral que se utiliza dos ritmos brasileiros, como o frevo, o samba, o maracatú e o baião, além de influências da música erudita e do jazz, como ponto de partida para a busca de novos sons e também para a criação de uma linguagem própria. O Amanajé foi formado no início de 2004 como resultado da afinidade entre instrumentistas/compositores que tinham uma idéia em comum: a criação de um trabalho com músicas próprias que pudesse contribuir e ao mesmo tempo dar continuidade à escola da “música instrumental brasileira criativa”. Na gravação de seu primeiro disco, em 2004, o grupo contou com participações especiais de importantes nomes da música instrumental brasileira, como Arismar do Espírito Santo, Michel Leme e Sandro Haick. Já Aprendendo a ser só, apresenta-se como a continuação natural do caminho trilhado pelo Amanajé, mas, desta vez, com Righi assumindo toda a responsabilidade pela produção, composições e arranjos. Nas palavras do baterista Nenê (Elis Regina, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti), o álbum do “jovem e talentoso guitarrista e compositor” apresenta “composições muito bem desenvolvidas harmônica, melódica e ritmicamente, cercado de jovens músicos, como ele talentosos e da linha de frente desta geração”. Aprendendo a ser só contou com a participação especial do pianista André Marques (Hermeto Pascoal). O EP Righi & Pontet, por sua vez, é o registro do primeiro projeto internacional em que Thiago esteve envolvido como co-líder. O projeto teve início a partir do encontro de Thiago Righi com o instrumentista e compositor francês Thibaud Pontet, em 2008, na França (país onde Righi vivia à época). Da afinidade e amizade entre os dois músicos nasceu um trabalho de composições próprias que reúne duas diferentes heranças musicais, duas diferentes culturas e histórias, mas muitas ideias em comum. Entre 2009 e 2012 Thiago e Thibaud realizaram uma série de concertos na França (Cosmo Jazz Festival) e no Brasil, e, em 2010, registraram parte do repertório do projeto em um EP. O EP Righi & Pontet foi lançado em julho de 2011 durante o Festival Servoz en ébullition, evento seguido por uma tournée pela região de Chamonix-Mont Blanc (França). O lançamento do E.P. no Brasil ocorreu em setembro do mesmo ano durante o Festival Cuesta Instrumental (Botucatu-SP) e em shows pela capital paulista.

2° Momento - O que acabou de ser e o que é

 

O repertório deste show traz produções atuais e os trabalhos recentemente lançados, entre 2017 e 2020, apresentando músicas do repertório do Cafuá e de Contos Insulares, álbum recentemente lançado por Thiago Righi. O Cafuá é um grupo minimalista de música instrumental autoral que, a partir de influências diversas, tais como Steve Reich, Fela Kuti, Ali Farka Touré, John Coltrane, Bocato, teceu uma sonoridade que promove o diálogo entre ritmos africanos, melodias mântricas e harmonias modais. O grupo já lançou dois clipes, um EP, três singles e atualmente trabalha em um novo lançamento, previsto para ser lançado ainda em 2021. Gravado em trio, ao vivo no estúdio, Contos Insulares é o segundo álbum solo do guitarrista e compositor Thiago Righi. A partir de uma concepção jazzística, e da linguagem da música instrumental flertando com o rock, seu repertório traz seis composições autorais de Thiago e uma do instrumentista francês Thibaud Pontet. Privilegiando a improvisação e a escuta coletiva, o álbum apresenta a música instrumental concebida a partir da influência e do diálogo com a Literatura, promovendo a interseção entre estes diferentes fazeres artísticos. É, por exemplo, o caso de Mia, composição inspirada pela obra de Mia Couto, principalmente pelos contos do livro Vozes Anoitecidas. No mesmo sentido da obra de Mia Couto, esta composição de Righi indaga sobre e explora os laços possíveis e as relações existentes entre registros orais, escritos, e, neste caso, sonoros. Assim como nos contos de Vozes Anoitecidas, na paisagem sonora de "Mia" há algo de fantasioso, de onírico, de ser um alento e uma voz de esperança frente aos infortúnios, privações e contra-roteiros que a vida nos apresenta.

3° Momento - O que será: os trabalhos inéditos

 

No repertório deste show serão apresentados trabalhos inéditos, criados em 2020, durante a quarentena imposta pela Pandemia da Covid-19. Fortemente permeada pela literatura, a música de Thiago Righi é, ao mesmo tempo e também, uma construção constante de paisagens sonoras. Mais que traços biográficos, suas composições, seu repertório, suas interpretações sugerem atmosferas, buscam traduzir estados psicológicos, criar cenários e personagens, recontar histórias, ativar memórias. É neste sentido que os trabalhos inéditos de Thiago vêm sendo criados. A partir de um profunda reflexão e introspecção, o novo repertório de Righi, como não poderia deixar de ser, nasce informado e marcado pela realidade que 2020 e 2021 nos impuseram a todos. Dessa forma, compõem este show composições inéditas, arranjos e ideias que farão parte dos próximos trabalhos do artista.

Thiago Righi - Momentos

 

Thiago Righi é músico instrumentista, compositor e historiador, e tem se destacado na cena musical há mais de 15 anos. Numa carreira que engloba e contempla diferentes estéticas e gêneros musicais, com premiações e participações em grandes festivais (no Brasil e na Europa), Thiago compõe seu trabalho de guitarra solo a partir de uma síntese de sua trajetória. Síntese essa que apresenta nova roupagem, arranjos e interpretações ao repertório autoral de todos os projetos dos quais Righi fez parte ou liderou. Dando voz à interseção entre diferentes períodos de seu percurso artístico, a partir de uma perspectiva cronológica, Momentos apresenta uma narrativa da carreira do instrumentista-compositor tecida a partir do universo e das possibilidades da guitarra e do violão, numa paisagem sonora (re)construída a partir das variações sonoras, dos espaços, tempos e estéticas que se deram ao longo do tempo e que marcaram a carreira do artista.

Ficha técnica:

 

Thiago Righi - guitarra, violão, arranjos

Guilherme Chiappetta - gravação, mixagem, masterização

Otavio Seraphim - vídeos

Camila Conti - artes e design gráfico

Bia Bem - assessoria e comunicação mídias e redes sociais

Cassia Sandoval e Julieta Regazzoni - produção executiva

 

Este projeto é apresentado por: Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Lei Aldir Blanc e Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e através do edital PROAC Expresso Lei Aldir Blanc N° 39/2020